Do “E Agora?” ao “É Isso.”

FILOSOFIA EM LATA

Olha eu aqui de novo. É curioso como a vida nos atropela, né? Depois de postar “E agora, Maykel?”, senti que precisava falar um pouco sobre o que é este espaço.

O Filosofia em Lata não é um portal de crônicas; é o meu espaço de refúgio. Criei isso aqui para me forçar a estudar, para tirar as teorias dos livros da Licenciatura e ver se elas aguentam o tranco da vida real. É onde tento organizar minhas próprias loucuras e dilemas através da visão dos filósofos.

O nome vem do meu gosto em energéticos, mas a ideia não é “virar um monstro”. É só uma analogia com esse estímulo que buscamos para manter a mente em foco. Não reparem no estilo; aqui é conversa de balcão, uma prosa sem filtro entre amigos que estão tentando entender por que a mente não aquieta. Não busco reconhecimento como escritor, busco clareza como estudante. Quem ler e se identificar, ótimo, e saiba que este espaço é, acima de tudo, para trocarmos ideias. O intuito é o processo: pensar, debater e tentar entender o caos, sem pressão e sem frescura.

No meu último texto, deixei a pergunta do Drummond ecoando: “E agora, Maykel?”. A resposta que o poema sugere é o vazio, o muro de concreto, a falta de saída. É uma versão crua da realidade. Mas, estudando filosofia, percebi que parar no “E agora?” é só metade do caminho. É aqui que tento debater Nietzsche no meu laboratório mental, não com uma solução, mas com um martelo.

Drummond diz que José está sozinho na noite fria, sem a utopia de fuga dessa realidade. Nietzsche, por outro lado, me pergunta: “Maykel, se esse escuro fosse durar para sempre, você seria capaz de não amaldiçoá-lo?”. Não é sobre achar um caminho para fora do dilema, mas sobre entender que a dúvida e a busca por respostas é a minha casa agora. Olho para a data na minha pele e, em vez de procurar uma superação que soaria falsa, busco o entendimento de que cada segundo desse peso me trouxe até este parágrafo.

Muitos, quando ouvem ou leem sobre o Amor Fati, pensam em resignação. No meu laboratório de estudos, vejo o conceito de Nietzsche como uma forma de revolta. Amar o destino não é aceitar a derrota; é olhar para a tormenta, para o vazio do “E agora, José?”, e gritar: “É só isso que você tem? Pois eu aceito o desafio”.

É uma força que bate de frente com o absurdo. Se a vida me deu o silêncio e a saudade, eu farei desse silêncio o meu templo e dessa saudade o meu combustível. Não busco superar o que vivi, busco a potência de ser exatamente quem sou, com cada cicatriz e cada data gravada na pele.

Drummond perguntou “E agora?”, e o mundo respondeu com o silêncio da impunidade e o peso de verdades fabricadas por quem detém o poder da palavra. É fácil cair na paralisia quando percebemos que parte do nosso destino é ditado por mãos alheias e mentirosas. Mas é aqui que minha revolta encontra Nietzsche.

Eu amo o fato de que essa podridão ao redor não me corrompe; ela me tempera. Se a mentira é a ferramenta deles, a minha força é encarar o absurdo de frente e transformá-lo em combustível. Não é superação, é resistência bruta. É usar o energético da indignação para manter a mente alerta enquanto o resto do mundo dorme no conforto da hipocrisia.

Alguém poderia me perguntar: “Mas Maykel, essa raiva vai te salvar ou vai te destruir?”.

A resposta honesta? Eu não sei. Definir isso agora seria mentir, e a mentira já tem donos demais por aí. O que eu sei é que essa complexidade dói e me move ao mesmo tempo. Entre o risco de ser consumido pelo ódio à impunidade e a chance de transformar isso em força, eu escolho o estudo.

A Filosofia em Lata é, no fim das contas, o energético que tomo para aguentar essa vigília. É o combustível para tentar entender, nem que seja um pouco, o que fazer com esse turbilhão. Se o José de Drummond não tinha saída, eu faço da minha dúvida o meu caminho.

Seguimos no escuro, mas agora, com os olhos bem abertos.

E você? O que faz com a raiva que o mundo te empurra goela abaixo?

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