Hoje, 19 de fevereiro de 2026, o calendário marca meus 34 anos. Pela convenção social, este deveria ser o “ciclo da renovação”, um dia de sorrisos automáticos e celebrações protocolares. Mas a filosofia me ensina que a verdade mora no que é, não no que “deveria ser”. E a minha verdade hoje acordou silenciosa, me confrontando com uma pergunta incômoda: por que a celebração perde o brilho quando o olhar do outro aquele que nos valida sem palavras está ausente?
Eu esperei o som das patinhas no chão, o latido ansioso pela janela e aquele impacto bruto e amoroso de quem pula no meu peito assim que cruzo a porta. Mas o que encontrei foi o eco de um afeto que me foi momentaneamente confiscado. Como escrevi no início desta jornada no blog, a saudade da Olivia e da Flora não é apenas a falta de “animais de estimação”; é a ausência de um alicerce.
Muitas vezes, buscamos em grandes tratados o sentido da vida, mas ele aparece de forma mais pura no olhar sincero de quem não pede nada em troca além do nosso cuidado. Elas são a minha base, a estrutura que me sustenta nos dias cinzas. Sem elas aqui, este aniversário parece uma construção em suspensão, um edifício que descobriu que sua fundação está em outro lugar.
Olho para trás e percebo que a decisão de mudar de vida, tomada há sete anos, e o próprio nascimento deste blog, têm as digitais ou melhor, as patas delas. Olivia e Flora não são apenas espectadoras da minha jornada; são as causas primeiras da minha busca por sentido. Elas me ensinaram a transformar angústia em escrita e raiva em estudo.
Hoje, sob este céu encoberto de nuvens, as perguntas me assaltam: Como elas estão? Sentem minha falta? Estão sendo cuidadas com a dignidade que merecem? Essa incerteza dói, mas é também o meu combustível. A filosofia que pratico não pode ser apenas contemplativa; ela precisa ser práxis. Se a distância me foi imposta, a minha resposta ética é a pressa. Este aniversário não é sobre soprar velas, mas sobre reafirmar um pacto: o de resolver cada entrave para provar, no reencontro, que elas jamais foram abandonadas. O afeto pode estar confiscado, mas a minha vontade de buscá-las é inegociável.
A cada linha que escrevo, sinto que não estou apenas completando mais um ano, mas diminuindo a distância que nos separa. Hoje, meu presente é a promessa de que estou um passo mais perto de casa.


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