O Amor Inventado do Sonhador Contemporâneo
“Você um dia vai gostar de mim…”, paralisei! Hoje estava aqui ouvindo algumas músicas aleatórias no intuito de dar uma acalmada na mente e na ansiedade e ocorreu o contrário fez minha mente pesar e analisar a música “Um dia” do cantor Seu Pereira que até então eu não conhecia, me veio na cabeça “Esse trecho me lembra algo? O que será?” logo me veio a mente o personagem o Sonhador do livro noites Brancas do Dostoievski.
“São tantos os poemas pelos banheiros dos bares, que você nem sonha que são seu…”, aqui me veio à mente o sonhador num mundo contemporâneo, vemos um amor que esta escancarado em bares e banheiros, pois aqui ele está criando em sua mente como essa pessoa que ele ama, e deseja tanto ser seu, alguns vão dizer nossa é um amor platônico, não vejo um amor platônico como isso, para mim o amor platônico e um amor que aceita como o outro é, você admira o outro da maneira que ele é sem mudar nada, mesmo que esse amor não seja correspondido. Já aqui nos deparamos como o amor “Inventado” onde ele cria uma pessoa perfeita e que sabemos que no fim nenhuma pessoa e perfeita e essa criação em sua mente chega em um ponto que pode vir a machucar o nosso “Sonhador contemporâneo”, aqui Nietzsche chamaria isso de ressentimento, quando o amor não consegue se expressar, ele se volta pra dentro e constrói um mundo imaginário onde tudo é controlável, não é uma fraqueza, é uma armadura.
Vivemos num mundo onde o like numa foto vale mais que o real sentimento, aqui temos o nosso sonhador contemporâneo que ama uma pessoa, porém ainda não teve coragem para demostrar, vemos muito isso onde pessoas se escondem em seus mundos por medo de se expor de se entregar e ser feridos, tratando o sentimento como algo controlável, porém o amor ele e lindo, cruel e não é uma fórmula de matemática exata e uma eterna incógnita de duas pessoas dividindo a vida e sentimentos. como diria Camus a angústia de viver num mundo onde nada é garantido, onde o outro pode ir embora, onde o amor não tem fórmula. E a tentativa de controlar é justamente a fuga dessa angústia.
Aqui me deparo com o contraste do nosso clássico Sonhador e o que denomino ‘Sonhador contemporâneo’ os dois, separados por séculos, perdendo a mesma coisa: tempo. Tempo amando alguém que nunca existiu fora da própria mente. Talvez você conheça um Sonhador. Talvez se depare nos percursos da vida com um, ou seja, você mesmo um Sonhador?


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